Mas você sabe mesmo o que é feminilidade? | Pantys

mas você sabe mesmo o que é feminilidade?

Feminilidade. Ser feminina. Ser mulher. Três conceitos que aparentemente são simples, mas que podem definir quem você é, como se apresenta ao mundo e quais planos fazem parte do seu futuro. Um combo poderoso de palavrinhas que te desafiamos a entender melhor hoje!

Vamos juntas viajar pela história da humanidade a fim de aprender o que é feminilidade e como ela é uma construção de ideias que vão além de sinônimos como delicadeza e meiguice. Confira a seguir por que é tão importante questionar a definição de feminilidade para conhecer cada mais sobre si mesma!

o que é feminilidade

De maneira geral, o conceito de feminilidade se trata de uma série de comportamentos e qualidades que são esperados das meninas e mulheres até o final de suas vidas. Ou seja, são normas que apontam para o que é uma atitude aceita socialmente como feminina.

Porém, precisamos concordar que o assunto é bem mais complexo do que esta definição. Afinal, se começarmos a questionar quem ditou os atributos que dizem o que é feminino ou não, por que devemos seguir estas imposições e o que acontece quando vamos no sentido oposto ao que é considerado como regra, vamos dar de cara com um sistema que oprime mulheres há séculos: o patriarcado.

Você deve estar pensando agora: "Pantys, então feminilidade é algo ruim para as mulheres?". A questão não é a feminilidade em si, mas como ela foi sendo construída em diferentes culturas a fim de privilegiar apenas um grupo da sociedade, o masculino.

Durante esse processo, as mulheres têm seus corpos, meios de comunicação e de acesso à informação podados para caber em uma forma que a limita e fere sua liberdade de expressão. Para caminharmos juntas nesse pensamento crítico, vamos dar um exemplo clássico: o mito da beleza ideal nos tempos atuais que associa um corpo feminino à cintura fina, barriga chapada, seios fartos e bunda malhada.

Todas as mulheres nascem assim? Obviamente, não. A grande maioria sente uma pressão enorme para espelhar essa imagem? Com toda certeza! O que explica muito o fato dos números de distúrbios alimentares e cirurgias plásticas serem tão expressivos na parcela feminina da sociedade.

Este é apenas um exemplo dos diversos tipos de expectativas que recaem sobre como as mulheres devem pensar, agir e consumir para serem vistas como femininas. É válido ressaltar também que a feminilidade como a entendemos hoje não possui o mesmo sentido que nos séculos anteriores.

A cultura não é algo imutável, pelo contrário. Ela está em constante mudança, mesmo que lentamente, e varia conforme a região, o país e o continente do nosso local de fala. Outro fator que contribui (e muito!) para olharmos de maneira mais crítica para o conceito de feminilidade é o trabalho desenvolvido pelo movimento feminista, mas isso nós vamos discutir no próximo tópico, amiga!

a feminilidade faz parte da nossa história

Viver em uma sociedade patriarcal e machista é entender que as normas impostas sobre como cada um deve se comportar servem para garantir que o poder de decisão e os privilégios permaneçam com quem está no comando, o homem branco. Dizemos isso não no sentido de taxarmos alguém como o vilão da história, mas reconhecer de onde vem as dores e a marginalização vivida pelos tantos outros grupos sociais.

Com o surgimento do feminismo, a feminilidade entrou na pauta de questionamentos, uma vez que o conceito faz parte da norma que diz o que é ser mulher e qual é o papel que deveria ser desempenhado por ela.

Na virada do século XIX para o século XX, as meninas recebiam uma educação doméstica para se tornarem dona de casa e mãe devotada aos filhos e marido. A feminilidade aqui é associada a gestos delicados, aparência de fragilidade e personalidade passiva - qualidades esperadas das mulheres brancas, já que as mulheres negras ainda nem eram vistas como seres humanos com direitos básicos de sobrevivência, por exemplo!

A primeira onda feminista surge neste período para tirar o véu da aceitação e mostrar o quão arbitrário era o padrão de comportamento imposto pelo patriarcado.

A socióloga feminista Josette Trat indica que os principais confrontos do feminismo iniciaram pela discussão da misoginia, a divisão social do trabalho que restringe a mulher aos cuidados do lar e a dominação masculina que se justifica por uma construção histórica e não algo divino e natural.

Além disso, a feminilidade expressa em padrões estéticos absurdos acabou sendo revelado pelas ondas feministas como mais uma ferramenta para dizer às mulheres biológicas como elas devem se vestir, que tipo de cabelo usar, associar higiene e beleza a um corpo sem pelos e muito mais!

Para certas teóricas do meio, como a escritora Dominique Fougeyrollas-Schwebel, ainda podemos falar que o feminismo contemporâneo trouxe mais questões que libertaram o pensamento sobre a sexualidade feminina. Assim, hoje temos condições para optarmos ou não pela maternidade sem que isto nos faça sentir mais ou menos mulher.

ser mulher é sinônimo de ser feminina?

Para responder a esta pergunta, vamos pegar emprestadas as palavras da maravilhosa Simone de Beauvoir: "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher". Frase curtinha e poderosa, hein! Ao analisarmos esse pensamento, é quase automático lembrar dos ensinamentos que recebemos em casa, na escola e em outras esferas da sociedade sobre quais são as responsabilidades da mulher e como se portar no ambiente público e privado.

Logo, o ato de "ser mulher" acaba perdendo a sua essência para caber em uma construção tão pequena e limitante que é exigida pelo patriarcado. Entender o que é feminilidade natural se torna um processo confuso, pois somos bombardeadas constantemente por discursos midiáticos que nos dizem como seduzir, censurar nossa fala, reduzir medidas... reforçando sempre a imagem de que ser feminina é ter um corpo e comportamento específicos.

Consegue perceber, amiga, que a narrativa que nos contam afetam até os nossos desejos e aspirações? Por exemplo, o trabalho mais analítico, tecnológico e competitivo não pode pertencer ao mundo feminino segundo esta visão de feminilidade.

É nesse jogo de percepção e desconstrução do que nos é apresentado desde os primeiros anos de vida que podemos entender que ser mulher e ser feminina não são conceitos dependentes. Os dois caminhos podem se cruzar em certos aspectos, permanecerem lado a lado, mas nunca serem vistos como algo único e indissociável.

pare e reflita: como você se relaciona com a sua feminilidade?

Depois de todo esse papo sobre o que é feminilidade, ser mulher e os questionamentos do feminismo, o nó na cabeça vem com força total! Todos esses apontamentos são complexos e não cabem em uma resposta direta e única. É por isso que o foco em você mesma é tão importante neste momento! <3

O ditado pode ser batido, mas é verdadeiro: ninguém é igual a ninguém. O que só confirma a necessidade de trabalhar internamente e pontuar o que te faz sentir mais você mesma, sem pensar nas regras e nos julgamentos que o mundo dita todos os dias.

Ser feminina ou não é uma decisão que não precisa ser encarada como algo definitivo! Fique atenta aos seus sentimentos do dia, que tipo de roupa você costuma escolher e o que te motivou a comprá-la. Veja se você encontra sentido na maneira como te ensinaram a falar e a se portar em casa, no ambiente de trabalho ou na roda de amigos.

Hoje em dia, é mais saudável pensar que a feminilidade é uma força de resistência e propulsora de descobertas sobre quem as mulheres realmente são e o que desejam para as suas vidas ao invés de ser aparências de um mundo irreal, cor de rosa e cheios de fru fru que passam longe das verdadeiras necessidades das mulheres!

Se você gostou da conversa de hoje, indicamos a leitura do post "O feminismo é para todo mundo?" que publicamos aqui no blog da Pantys! Será uma ótima maneira de continuarmos com as reflexões de hoje, lindeza!

Nos vemos por lá, combinado? ;)


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