maternidade: uma escolha, não uma obrigação

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Parece que sempre existe alguma coisa para dizer que somos incompletas: metade da laranja, a tampa da panela, o príncipe encantado ou o filho que precisa chegar pois só assim seremos plenas e felizes. É uma ideia de que nascemos incompletas, sempre faltando algo a ser preenchido. Vamos mudar isso? Nós acreditamos que já somos todas inteirinhas e que existem várias formas de transbordar amor! Uma delas é a maternidade, mas existem muitas outras.Por mais mulheres transbordantes, por mais mulheres como elas quiserem <3

Para começar o papo hoje, vamos observar um diálogo super comum, uma mulher declara que não quer ter filhos e ouve a seguinte resposta: por que não? Essa reação muitas vezes não tem uma intenção de julgamento, mas é uma reprodução de crenças que não nos leva para mais longe, quando pedimos que ela justifique o “porque não”, é como se a resposta certa fosse “sim” e ela precisasse nos dar uma grande razão para ir contra isso. Nosso proposta hoje é repensarmos e nos conscientizarmos para acolhermos as mulheres ao nosso redor e até nós mesmas.

Ao associar feminilidade à maternidade estamos reforçando uma visão super antiga, que foi aceita por muitos anos, de que a única função da mulher na sociedade é reprodutiva e precisamos nos libertar desses vícios de pensamento para construir o futuro que acreditamos.

Escolher não ter filhos ainda é um tabu porque falamos pouco sobre isso. Não é que sejamos obrigadas por decreto a ter filhos, mas isso acontece de forma implícita, por pressão familiar, do companheiro ou cultural, e, além disso, não há apoio para fazer o contrário. E como toda mudança de pensamento leva tempo para acontecer, é por isso que é essencial discutir para evoluir e possibilitar que essa reflexão chegue a cada vez mais mulheres.

Mas quando essa mentalidade começou a se modificar?

O acontecimento que mais colaborou para a emancipação feminina e a dissociação da mulher de sua capacidade de procriação foram os métodos contraceptivos (1960), a partir de então, a mulher deixou de ser definida exclusivamente pela maternidade e sua sexualidade desvinculou-se da reprodução: pela primeira vez ela tinha a possibilidade não só controlar o número de filhos, mas escolher se queria ou não ser mãe.

Caminhos de mudança

O caminho para essa mudança pode começar dentro de nós, ao trazermos uma nova visão para o nosso ciclo menstrual, enxergando ele como um processo muito além de algo reprodutivo. Um aliado nessa mudança é o livro Lua Vermelha,que já falamos por aqui. Nele, vemos que nosso ciclo menstrual é também um ciclo criativo, não estamos todo mês sangrando porque “perdemos a chance” e sim porque essa é forma do corpo de uma mulher se equilibrar. O útero guarda a força da vida e também da criatividade, podemos dar luz a filhos e também a ideias, criações, projetos.

Escolher gerar um filho, escolher adotar, escolher não ter filho, escolher decidir depois...escolher, essa é a palavra que importa nisso tudo, e o poder de escolha é individual.Devemos isso à luta de nossas antepassadas e devemos honrar suas histórias. Importantíssimo ainda é sempre tratar esse tema com delicadeza, há muitas mulheres que gostariam e não podem gerar um filho, outras podem gerar e preferem adotar, outras não planejaram, são situações que merecem muito cuidado e respeito de todos.

Segundo a últimapesquisa do IBGE (2010), 14% das mulheres em idade reprodutiva declaram que não querem ter filhos. Será que cada vez mais mulheres não querem ou só agora elas têm a chance e o apoio para dizer que não querem? Não é feio dizer “eu não quero ter filhos”, e jamais deve ser motivo de vergonha ou culpa. Isso não faz sentido algum. Culpa por não agir contra minha própria vontade? Vergonha por não seguir o caminho que os outros querem para minha vida?

Outra coisa que pode trazer leveza à nossa escolha é levar essa pauta para ser conversada com nossos parceiros e parceiras, assim podemos, juntos, criar expectativas de futuro alinhados, sem carregar segredos, culpas ou acabar cedendo a cobranças para sustentar um relacionamento no futuro.

Somos diferentes e temos desejos de corpo, de vida e de destino diferentes, e que coisa mais maravilhosa! Formamos um mundo mais diverso, mais divertido e seguimos completas e vivendo a felicidade em suas diversas formas, sigamos construindo um mundo de mulheres muito mais felizes e donas do seu destino.

Vamos juntas para que a consciência e direito de escolha chegue a cada vez mais irmãs? Siiim <3



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