precisamos falar sobre burnout, a síndrome do esgotamento profissional

precisamos falar sobre burnout, a síndrome do esgotamento profissional

Você já ouviu falar de burnout, amiga? É um distúrbio psíquico cada vez mais comum, caracterizado pelo estado de tensão emocional e estresse crônico provocados por condições de trabalho desgastantes. Precisamos parar de romantizar o excesso de trabalho e o desgaste físico, emocional e psicológico para alcançar metas na carreira.

A primeira vez que o termo surgiu foi pelo trabalho do psicólogo alemão-americano Herbet Freudenberger, em 1974, quando percebeu, entre os voluntários de uma clínica para viciados e moradores em situação de rua, que havia um esgotamento profissional. Muitos deles estavam desmotivados e emocionalmente desgastados, mesmo que seus trabalhos fossem gratificantes. De lá para cá, alguma coisa mudou. Se antes abordar o burnout era quase falar grego — e até mal visto dentro do universo corporativo —, agora, a temática é imprescindível se quisermos pessoas mais felizes dentro de seus ambientes de trabalho. Em 2019, a bandeira da saúde mental foi fincada: a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu o burnout como uma síndrome ocupacional. Não estávamos mais falando de algo etéreo, mas sim de uma condição que se alastrava por todo o mundo — e que deixava marcas.

queimar-se por completo 

Essa é a tradução livre pro termo burnout e faz muito sentido se considerarmos a sensação de esgotar-se inteiramente. A síndrome não exige notificação compulsória e, por isso, no Brasil, não conseguimos, ainda, dizer com precisão quantas pessoas já sofrem com ela. Mas basta que olhemos para o lado para notarmos que ela é mais presente do que gostaríamos, né? Se olharmos para mulheres e suas jornadas às vezes tripla de trabalho, então, a situação fica ainda mais preocupante. Uma pesquisa da International Stress Management Association (Isma-BR) estima que 32% dos trabalhadores no País sofram de burnout — algo parecido com mais de 33 milhões de brasileiros. Estamos à frente de americanos e chineses no ranking global. Só ficamos atrás dos japoneses — onde 70% da população padece da síndrome.

sintomas e atitudes subsequentes 

Entre os principais sintomas que podem estar associados à síndrome de burnout estão dor de cabeça, enxaqueca, pressão alta, dores musculares, sudorese, cansaço, crises de asma, distúrbios gastrintestinais.

Quem passa por um burnout, pode apresentar, também, agressividade, mudanças bruscas de humor, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, baixa autoestima, pessimismo, isolamento e ausências do trabalho. Ou seja: é como se desse uma pane geral no nosso sistema, sabe? O diagnóstico não é tão imediato porque não há teste ou exame que se faça para detectar a doença. Para identificá-la, é preciso que o profissional de saúde tenha uma escuta atenta e que faça uma avaliação profunda das condições de trabalho do paciente.

Por isso, se você apresenta algum desses sintomas ou tem tomado algumas das atitudes citadas, o ideal é que você procure ajuda médica e psicológica. E, amiga, vamos criar uma corrente de atenção e acolhimento para outras de nós? É bom que fiquemos atentas às mulheres ao nosso redor, para detectar sinais de burnout e poder ajudá-la quando necessário. Mais que falar de burnout, precisamos mudar a mentalidade de que o trabalho é tudo que nos define e nos torna úteis ao olhar do mundo. Se continuarmos servindo de peças de engrenagem para esse sistema, nossa saúde integral estará sempre em jogo. Vamos cuidar da gente e das outras? :)

como evitar a síndrome de burnout

defina limites

Não tenha medo de dizer até onde você consegue ir. Lembre-se de que o tempo que você trabalha não tem nada a ver com a qualidade e a eficácia do trabalho realizado. Por isso, marque bem quais são os seus limites (de tempo, de demandas, de deadlines) e respeite-os.

faça pausas

Nenhum ser humano consegue trabalhar horas seguidas sem descansar mente e corpo. O ócio, inclusive, pode ser fundamental para que você seja mais criativa e que esteja mais presente quando voltar às atividades :)

mantenha diálogos abertos

Comunique-se de forma transparente com seus líderes. Construa um diálogo em que feedbacks respeitosos possam vir de ambos os lados e que, assim, vocês possam, juntes, traçar caminhos alternativos sempre que necessário.

e, por fim, cuide-se com amor

E isso inclui fazer atividade física com regularidade, alimentar-se bem, hidratar-se frequentemente e também cuidar de sua saúde emocional e psicológica. E quando a coisa apertar, vale o lembrete: nada, mas nada mesmo importa mais do que a nossa vida — nem aquele trabalho tão desejado.



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