menstruação não é lixo

menstruação não é lixo

Menstruação não é lixo, e tratar nosso ciclo assim faz tão mal pra natureza de fora, quanto para natureza dentro da gente.

Nós já falamos um pouquinho sobre esse tema aqui e hoje vamos nos aprofundar.

Nós menstruamos cerca de 12 vezes por ano, durante uma média de 40 anos, isso equivale a quase 500 ciclos! Que capacidade de renovação a nossa, né? Se por um lado, nos renovamos, por outro, degradamos o meio ambiente: são mais ou menos 12 mil absorventes higiênicos nesse processo. Além de ser muito lixo, essa relação desgasta muito nosso emocional, afinal, ignorar esse ciclo é ter uma relação incompleta com o nosso corpo.

O próprio peso de significado da expressão “absorventes higiênicos” já diz muito. Então se não usarmos esses produtos vamos ser não-higiênicas? Segundo o dicionário, o contrário de uma pessoa higiênica é: “suja”, “asquerosa”, “porca” e, claro, nossa velha conhecida: “nojenta”.

Quando usamos absorventes descartáveis, tratamos nossa menstruação como um lixo, uma sujeira mesmo, algo que não podemos encostar e que devemos correr desesperadamente para tirar da nossa vista. Não podendo, jamais, ser visto por ninguém. Começamos então desde cedo a associar esse ciclo natural a algo sujo, nojento, indesejado, fedido. Mas por que? Por que quando cortamos um dedo e sai sangue isso não é nojento? Se analisarmos todo o contexto, descobrimos que essa visão hostil vem na verdade não do sangue em si, mas de uma visão que foi surgindo e se consolidando ao longo dos anos.

Uma perspectiva que pode nos ajudar a modificar de vez esse pensamento, é observar o significado da menstruação nas culturas antigas. A mulher, quando menstruada, era considerada no auge de seu poder, palavras como “sacralidade”, “magia”, “mistério” e “amiga da mulher” definiam esse período. Ao longo dos anos, com o declínio do papel da mulher, isso foi mudando e termos como “castigo”, tomaram esse lugar. Precisamos recuperar a sacralidade desse momento, do poder e força ancestral que guardamos em nós. A atitude de entrar em contato com nosso sangue menstrual já pode nos empoderar e ajudar a desmistificar várias coisas que a indústria nos ensinou.

A primeira delas é o mau cheiro, que na verdade vem das reações químicas que ocorrem quando o sangue entra em contato com o absorvente descartável, cheio de produtos químicos. Além disso, é bem menos sangue do que imaginamos, o que causa essa impressão é a baixíssima capacidade de absorção dos absorventes “tradicionais”, uma mulher menstrua, de 30 a 50ml a cada ciclo, o máximo são mais ou menso 80mls - chocante, né?.

Outra coisa que podemos fazer é devolver o nosso sangue a terra, usando diluindo nosso sangue e usando como adubo para as plantas, ajudando a natureza a também renovar seus novos ciclos. Mas, se ainda achar essa opção muito radical, só o fato de lavar nossas calcinhas já devolve nosso sangue a terra. Lindo, né?

Não estamos aqui impondo que você ame sua menstruação (apesar de amarmos), apenas que paremos de negá-la e passemos a aceitá-la, entrando em contato com nossa própria natureza com naturalidade e compreensão. Vamos construir um mundo em que nós e as gerações futuras possam enxergar a perfeição de nossos corpos, vendo eles como fonte de alegria e descobertas.

 

Vamos juntas?

 



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