Por que precisamos conversar sobre relacionamento inter-racial?

relacionamento inter-racial: amor, racismo e história

O relacionamento inter-racial  é incentivado desde os tempos coloniais. O termo é usado para classificar relacionamentos entre raças diferentes, como brancos, negros e asiáticos. No entanto, muito mais que mera classificação, o assunto tem gerado debates profundos e necessários tanto nas redes sociais quanto em movimentos ativistas.

História do Brasil, racismo, colorismo, relações de poder, amor e inseguranças permeiam esse debate. Afinal, precisamos lembrar que gosto é construído social e historicamente. Então, amiga, vem com a gente, que o papo de hoje tá supercompleto e recheado de reflexões. <3

o que dizem as estatísticas?

Ao contrário do que muita gente pensa, falar sobre relacionamento inter-racial não é papo de militante na internet. Na verdade, é até medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As pesquisas sobre nupcialidade analisam raças, idades e sexos para produzir dados e analisar as dinâmicas sociais.

Segundo o censo do IBGE, 69,3% da população dá preferência à união com pessoas da mesma cor ou raça. Os dados revelam que a endogamia — casamento dentro do grupo — prevalece entre os brancos, atingindo mais de 70%. Além disso, os homens negros tendem a escolher menos mulheres negras como parceiras no casamento, apenas 39,9%.

Esses dados ajudam a ter um panorama das relações no Brasil.Os casais inter-raciais  enfrentam uma série de situações complicadas, sendo muitas delas podem ser explicadas com uma análise da nossa história e da nossa sociedade.

miscigenação no Brasil

A miscigenação brasileira foi celebrada por diversos autores no século XIX. A ideia de democracia racial, envolvendo brancos, negros e indígenas, revelou uma grande ilusão. Na verdade, muitos pesquisadores classificam esses pensamentos como eugenistas, nos quais o objetivo é acabar com a população negra e indígena no país.

O quadro A redenção de Cam  consagrou-se por retratar as questões no século XIX. Nele, uma idosa negra olha para o céu e faz um gesto de agradecimento ao ver que o neto nasceu branco, completando o embranquecimento de seus descendentes. Ao lado dela, está a filha, já miscigenada, e o parceiro europeu.

Conhecer essa parte da nossa história é fundamental para compreender algumas questões que envolvem o relacionamento inter-racial. Por exemplo, você sabe  o que é palmitagem?  Vamos abordar o termo no próximo tópico. ;)

pamitar, palmitagem, palmiteiro

Quem está em um relacionamento inter-racial provavelmente já escutou comentários relacionados ao embranquecimento da família ou insultos ao(à) parceiro(a) negro(a). Na internet, a situação ganhou um novonome:  palmitagem.

O termo é usado para classificar pessoas que estão em um  namoro inter-racial, especificamente quando um indivíduo negro se envolve com uma branca. Em muitos casos, o relacionamento é visto como uma possibilidade de ascensão social e busca pelo(a) parceiro(a) padrão, que é socialmente mais aceito.

 

A palmitagem está mais associada aos relacionamentos entre  homem negro e mulher branca. O termo é usado com conotação crítica, com o objetivo de dizer que a parceira branca foi escolhida com base nas questões que citamos anteriormente, como a busca pelo embranquecimento e por uma companheira dentro dos padrões estéticos.

a solidão da mulher negra

Não dá para falar de relacionamento inter-racial sem abordar a solidão da mulher negra.O trecho do texto Vivendo de Amor, de bell hooks, explica bem essa questão: “muitas mulheres negras sentem que, em suas vidas, existe pouco ou nenhum amor. Essa é uma de nossas verdades privadas, que raramente é discutida em público. Essa realidade é tão dolorosa que as mulheres negras raramente falam abertamente sobre isso”, escreve a autora.

As estatísticas deixam tudo bem evidente: brancos preferem relacionar-se com brancos, enquanto negros não escolhem as negras para se casar. Então, onde a mulher negra fica nessa história? Afinal, o padrão de beleza  é branco, e a mulher que merece ser amada, segundo a sociedade, também tem essa cor.

insegurança e dependência

A mulher negra não é a primeira opção dos homens. Então, quando são escolhidas, muitas dúvidas e inseguranças vêm à tona: estou sendo objetificada? Essa pessoa realmente me ama? O medo de ser usada e estereotipada é constante.

É importante ressaltar que o relacionamento de  homem branco com mulher negra   é composto de dois extremos da pirâmide social: o homem branco, no topo, e a mulher branca, na base. Essa diferença é presente no cotidiano, podendo gerar situações complexas e constrangedoras.

Também precisamos abordar a ideia do parceiro branco como o grande salvador. Enxergar o companheiro dessa forma pode criaruma  relação de poder  desproporcional, causando dependências.

amor tem cor?

Há quem diga que o amor não tem cor, mas ele tem. Viver em um relacionamento inter-racial pode ser complicado, muitas vezes, por causa das pressões familiares e dos comentários racistas que fazem parte do cotidiano do casal.

Por isso, é importante abrir esse canal de conversa e abordar o assunto com mais frequência. Entender as dores de cada um e aprender a posicionar-se diante de situações racistas é uma maneira de conviver com mais respeito e empatia. Afinal, viver um amor inter-racial é deparar-se com conceitos sociais e históricos a todo momento.

Amiga, não estamos falando que relacionamentos inter-raciais não são bons. Na verdade, queremos propor uma reflexão que contribua para o crescimento pessoal e melhore a relação do casal, evitando dependências e inseguranças. A  violência inter-racial  é inaceitável e não pode ser normalizada. Seguimos juntinhas nessa jornada de amor e luta. <3



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