lua vermelha: nossa criatividade cíclica

lua vermelha: nossa criatividade cíclica

Sabe livros que mudam a vida? Pois é, esse mudou a nossa, então a gente veio compartilhar com vocês.

A própria forma como o livro surgiu já é muito interessante: ele vem de uma frustração da autora com sua própria inconstância. Mas, como assim? Miranda Gray é ilustradora freelancer, e ela percebeu que, às vezes, sua mente e emoções estavam mais abstratas e por isso ela não conseguia entregar ilustrações mais diretas e objetivas, como solicitadas pelos clientes - ou o contrário, a mente estava mais racional e o pedido de trabalho era mais abstrato e isso atrapalhava muito seu trabalho. Então, ela começou a investigar e percebeu que mais mulheres se sentiam assim em determinadas fases do mês e descobriu que suas energias criativas estavam diretamente ligadas ao seu ciclo menstrual.

Você também já sentiu que em certos períodos se sente mais criativa, com pensamentos mais abstratos, e em outros mais objetiva e prática, como se fosse outra pessoa?

 

“Se um óvulo liberado por um dos ovários é fecundado, essas energias se expressarão na formação da nova vida; se ele não for fecundado, a energia ganhará forma na vida da mulher de algum outro modo.”

O livro trata desse tema que vocês sempre vêem por aqui, a menstruação, sob uma perspectiva nova, sugerindo perceber nosso ciclo menstrual como um ciclo criativo e assim nos ensina a reconhecer e dar espaço às diferentes energias que temos em diferentes fases do ciclo - evitando assim de bloqueá-las quando elas se manifestam, aumentar nosso potencial de criar.

 

“O conceito da lua como fonte do espírito criativo foi uma das ideias mais antigas expressas pela humanidade”

Uma coisa muito incrível é que Miranda tira a criatividade do lugar-comum de “dom”, algo distante e difícil, reservado só para alguns, e mostra que as energias criativas estão em tudo o que fazemos, de modo quase que instintivo, e nos permite expressarmos de alguma forma. Por exemplo, quando a gente vai cozinhar estamos colocando nossas energias criativas no processo: nossos dons, habilidades, visões, vontades, tudo isso estará nesse prato, que é um resultado da nossa expressão. Ou quando dançamos, temos uma relação sexual, fazemos algum trabalho - em tudo isso usamos nossa criatividade; dessa forma enxergamos a criatividade como algo próximo, intrínseco a todas as mulheres.

 

1 mês, 4 arquétipos: Donzela, Mãe, Feiticeira e Bruxa-Anciã

Miranda traz as quatro mulheres diferentes que somos ao longo do mês, assim como já falamos aqui no Blog, mas a grande novidade é que ela busca nos contos de fada e em histórias conhecidas arquétipos, facilitando e muito a reconhecer e entender o que essas personagens diferentes têm a nos ensinar e como podemos explorar da melhor maneira possível o potencial criativo de cada uma delas.

 

Exercícios práticos

Além disso, o livro propõe exercícios práticos incríveis ao final de todos os capítulos, como meditações guiadas, mandalas e anotações como forma de já colocarmos em prática os aprendizados. Durante a leitura, ela propõe anotarmos em um diário, de forma bem sucinta, como nos sentimos em cada fase para depois encontrarmos nossos padrões; É comum, por exemplo, que muitas mulheres tenham os mesmos tipos de sonhos nas mesmas fases do ciclo, e é através das anotações que conseguimos encontrar essas semelhanças. Registrando essas informações, ainda damos a chance de um dia nossas filhas, sobrinhas ou amigas lerem nossa história e se sentirem acolhidas ao se reconhecerem. Imagina que maravilhoso se a gente pudesse ter lido o diário das nossas mães ou avós quando éramos adolescentes? Teria sido muito mais fácil compreender emoções e sensações que também são cíclicas e se repetem geração após geração.

Estamos indicando Lua Vermelha pois ele estimula uma conexão e aceitação das diferentes energias que nos influenciam e que, às vezes, podem até nos levar a pensar que somos loucas, quando, na verdade, só nos mostra que não somos sempre a mesma. Na essência, somos essa inconstância mesmo, esse ciclo vivo que, quando compreendido e experimentado, percebemos que se trata de um presente ancestral que a natureza nos oferece todos os meses. É uma chance para experimentar, criar e viver coisas totalmente diferentes a cada nova fase.

Vamos ler? <3



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