amiga, você conhece o afrofuturismo?

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“Imagine uma viagem ao futuro, com elementos hi-tech, mas ao mesmo tempo com toques de ancestralidade. Assim podemos entender o Afrofuturismo, movimento pluridisciplinar que utiliza a música, as artes plásticas, a moda, entre “otras cositas más”, e que estabelece o encontro entre a história, o resgate da mitologia e cosmologias africanas com a tecnologia, a ciência, o novo e inexplorado.”

Trecho extraído do portal Geledés

Não é potente demais? Esse movimento estético, social e cultural tem o objetivo de retratar os dilemas negros e colocar em xeque eventos históricos relacionados ao racismo global. Foi na década de 50 que produções afrofuturistas começaram a aparecer na arte — com seu marco zero sendo apontado em Invisible Man, de Ralph Ellison, publicada em 1952, em que critica o futuro marcado dos negros nos Estados Unidos. Depois, na década de 90, o termo ganha fôlego, impulsionado, principalmente, por debates iniciados pela estudiosa Alondra Nelson.

“Afrofuturismo é esse movimento de recriar o passado, transformar o presente e projetar um novo futuro através da nossa própria ótica. Foi assim que defini o termo pela primeira vez, num post do meu blog em 2016, e tal definição, para minha surpresa, veio a figurar no livro Na minha pele, do ator Lázaro Ramos (2017, p. 144). Pode-se dizer, portanto, que se trata da minha explicação favorita; no entanto, se me solicitassem uma definição mais concreta, poderia dizer que afrofuturismo seria a mescla entre mitologias e tradições africanas com narrativas de fantasia e ficção científica, com o necessário protagonismo de personagens e autores negras e negros.”

Fábio Kabral, em texto publicado originalmente em seu Medium

Se a temática afrofuturista é um convite para a criação de narrativas afro-inspiradas, o Brasil — e seu mito da democracia racial — é um país que clama por tais criações. Em março deste ano, o Buzzfeed criou uma lista preciosa de nove artistas brasileiros que produzem dentro do movimento. Se lá fora há Janelle Monáe e Erikah Badu, aqui temos Lu Ain-Zalia, Ellen Oléria, Xênia França e Adriana Barbosa. Você confere a lista completa aqui, ó.

É projetando outros futuros que a mudança se faz possível, executável. E é somente nesse exercício de olhar pra trás, recuperar narrativas contadas pelas vozes dos próprios protagonistas e imaginar novas formas de ser e viver que se constrói, de fato, a equidade que tanto falamos. Em tempo, aqui vai uma playlist especialíssima sobre a temática afrofuturista. Dê o play, inspire-se e procure se aprofundar nesse movimento, amiga. Muito mais que uma estética da moda, Afrofuturismo é devolver ao povo negro o poder que lhes é de direito.


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