Seja uma mulher que não aceita o silêncio de outras mulheres

você é uma mulher que não aceita o silêncio de outras mulheres?

Será que você aceita o silêncio de outras mulheres?

Sororidade virou um termo da moda, mas poucas vezes falamos do que a falta dela implica nas relações femininas.

Falamos muito sobre o silenciamento vindo dos homens, mas na minha experiência, machuca especialmente quando vem de outras mulheres porque permite que esse tipo de comportamento seja levado adiante.

"Gosto mais de trabalhar com homens, no meio de mulheres tem muito mimimi"

Quem nunca ouviu ou mesmo já disse essa frase que atire a primeira pedra! É muito comum esse tipo de figura ser associado ao comportamento feminino, mas é importante ressaltar que mimimi é a dor do outro que não sentimos.

Além disso, a sua vivência pode ser uma, mas precisamos ter empatia e compreender a vivência de outras mulheres, e é exatamente por isso que muitas vezes nós mulheres nos silenciamos tanto: porque não percebemos que ser mulher é extremamente plural e que cada uma de nós tem desafios e privilégios diferentes.

No meu caso, como mulher branca, percebo que no passado em muitas situações, de maneira inconsciente, acabei silenciando mulheres pretas, LGBTQIAP+, mulheres trans, mulheres PCDs, mulheres indígenas.

E se for extremamente sincera, sei que ainda estou desconstruindo muitos desses comportamentos e é um desafio diário.

Legal Jéssica, mas como saber se estou silenciando outras mulheres?

Ouvindo o que elas têm a dizer, acolhendo os sentimentos delas sem julgamentos, sem tentar impor a sua experiência e tendo a humildade de saber que ninguém é dono da verdade. Afinal, a realidade é como um prisma, que muda de cor de acordo com o nosso olhar para o mundo.

O maior desafio disso tudo é conseguirmos nos abster de julgamentos porque o que eu mais vejo é esse olhar crítico no sentido de apontar dedos e se colocar no papel de superioridade com frases do tipo:

"Também, ela não se valoriza, claro que isso iria acontecer"

"Se você tivesse se comportado da forma x, tal coisa não teria acontecido"

"Nossa, você viu como fulana está acabada"

"Coitados dos filhos dela, você viu, ela só trabalha, tenho pena deles"

Essas e tantas outras frases estigmatizam essa competição e perpetuação do nosso silenciamento e joga em cima da gente toda a responsabilidade sobre os machismos diários.

"Ah Jéssica, mas eu não concordo com essa vitimização da mulher, somos capazes e até mais fortes que os homens."

Reconhecer que existem dores e problemas não é se vitimizar, a diferença está em como lidamos com as situações.

O problema do argumento acima é que estamos sempre nos colocando em um papel de sobrecarga e ainda ter que ser perfeita em todas as situações deixa de ser uma escolha e se torna uma cobrança social, só que tem uma coisa que precisamos deixar extremamente claro: Nós não somos e nem devemos ser super heroínas.

E nos cobrar dessa forma só traz uma frustração constante de não conseguir cumprir todas as caixinhas que a sociedade nos coloca simplesmente pelo fato que somos seres humanos.

Consequentemente, como nós estamos sofrendo com não conseguir cumprir tudo isso, ao invés de questionar todas essas regras, nos viramos umas contra as outras em um ciclo de pressões infinitas.

E reconhecer isso não é dizer que somos frágeis, incapazes ou que não damos conta, é apenas dizer que não é a nossa obrigação cumprir tudo que a sociedade espera de nós e que devemos ser livres para decidir como agir.

Isso significa ser protagonista da sua própria história, ter a clareza e a liberdade de entender o seu próprio caminho e tomar ações para que outras mulheres tenham a mesma oportunidade.

No final, quando aceitamos o silêncio de outras mulheres, estamos também nos silenciando e é algo que não podemos mais aceitar.

Vamos juntas?

JÉSSICA PARAGUASSU
Empreendedora especialista em Negócios e Neurociência, fundou o @mulheresnocomandosp para ajudar mulheres a despertarem todo o seu potencial
profissional e transformar o mundo corporativo num ambiente mais igualitário



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