Liberdade: substantivo feminino

liberdade: substantivo feminino

O que é essa liberdade que tanto buscamos? Ou melhor, o que pode ser? Hoje vamos falar sobre esse conceito tão importante e que nos move a ir cada vez mais longe. É natural do ser humano querer se sentir livre e, especialmente para nós, mulheres, essa palavra tem um significado ainda mais forte, talvez porque nossa história de não liberdades ainda seja muito recente.

Para cada sociedade, cultura e tempo essa palavra abrange significados muito diferentes, e o nosso objetivo aqui é trazer algumas reflexões sobre diferentes formas de liberdade, para termos uma visão mais ampla e assim seguirmos conscientes de tudo o que já conquistamos e aspirando esse futuro que ainda vamos conquistar.

Precisamos lembrar que a história, assim como a vida, não evolui linearmente, é preciso ter conhecimento e muita união para ampliar nossos horizontes.

Vamos juntinhas?

Neste contexto ainda tão novo, acreditamos que é muito importante entender que a liberdade começa em nós mesmas, em descobrir e assumir o que sentimos, sem esconder medos, fraquezas e sensibilidades, para que depois a gente se sinta bem para expressar nossas emoções sem medo. É também saber que podemos escolher quem são as pessoas que queremos compartilhar nossa jornada, mas que não dependemos delas para sermos felizes.

Por muito tempo foi considerado natural que as mulheres atendessem apenas as necessidades emocionais dos outros, especialmente da família, e ter consciência disso nos ajuda a sermos mais compreensivas com nós mesmas e também a mudar essa crença. Entender, assumir, expressar e respeitar nossos os próprios sentimentos é revolucionário. A boa notícia é que nesse caminho nos deparamos com uma ferramenta poderosa: o autoamor.

Sobre direitos conquistados #grlpwr

Esse mês, dia 3 de novembro, celebramos o dia da instituição do direito ao voto da mulher no Brasil, que aconteceu em 1930 (90 anos atrás). Quando instituído, o voto ainda era cheio de restrições: apenas mulheres casadas e com autorização do marido, solteiras com renda própria ou viúvas podiam votar, tornando-se de fato amplo e irrestrito só em 1934. E não foi muito antes disso que as mulheres conquistaram o direito de cursar ensino superior - apenas há 140 anos, e também com restrições. Até 1962 as mulheres brasileiras precisavam de autorização do marido para poder trabalhar e somente em 1977 que conquistamos o direito ao divórcio.

Quando olhamos para essas datas, o coração fica todo quentinho. Percebemos o quão importantes e recentes foram todas essas conquistas e como elas só foram possíveis pela união de mulheres que queriam liberdade para todas. Honramos muito as que vieram antes de nós e lutaram para que a gente estivesse aqui, exatamente onde estamos.

Sabemos que são conquistas ainda recentes e a mudança cultural continua em evolução. Por isso, entendemos que temos o direito de ir e vir, de trabalhar, estudar e ocupar o espaço público com nossos corpos é fundamental. Uma coisa é certa: a cada geração, ocupamos e ocuparemos mais espaços. Siiim!<3

Já que estamos falando de datas, o marco da liberdade sexual das mulheres é 1960, quando aconteceu a criação e a comercialização da pílula anticoncepcional. Hoje estamos refletindo sobre esse método contraceptivo e em busca de mais alternativas, mas o fato é que ter controle sobre quando ou se queremos engravidar nos trouxe muito mais autonomia sobre nossos corpos.

Sempre falamos por aqui sobre como fomos ensinadas que nossa ppk é proibida, feia ou suja; de como o clitóris, a masturbação e o prazer feminino ainda são tabus, por isso é tão potente cada vez mais nos informarmos e compartilhamos conhecimento sobre esse assunto, tanto para naturalizarmos, quanto para levarmos uma vida prazerosa e feliz!

<3

Para fechar, a última forma de liberdade que vamos abordar por aqui hoje é a liberdade estética.O corpo feminino e a nossa aparência sempre nos pautou, nossa cultura nos fez acreditar naquela velha ideia de que só seremos felizes quando tivermos o “corpo perfeito”, o “nariz perfeito”, o “cabelo perfeito” ou a “pele perfeita”. Mas nós já somos perfeitas com todas as nossas características que nos tornam únicas e a verdadeira liberdade vem quando nos damos conta disso. Imagina só que poderoso toda uma geração de mulheres livres da pressão estética e em paz com seus corpos e aparência? Pois é, amigas, a verdade é que nós já estamos construindo esse futuro agora mesmo e não vamos parar.

Nina Simone nos ensinou que liberdade é não ter medo, é por isso que vamos com coragem, juntinhas, nos fortalecendo para que cada vez mais mulheres tenham autonomia para serem exatamente quem elas são, construindo uma realidade cada vez mais diversa e livre para todas. <3



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