galentine's day & amizade feminina: por trás de uma mulher, há sempre outra grande mulher


Olá! Aqui sou eu de novo :) Me chamo Nicole Gasparini, sou escritora, jornalista e colunista convidada da Pantys. Estou nômade há três anos e em 2022 publiquei meu primeiro livro, “Boon na minha vida: uma jornada pela Ásia”, onde registrei descobertas e aprendizados ao viajar sozinha por seis meses na Ásia.

galentines day

gal (gíria para amiga) + valentine’s day (dia dos namorados)

significado: dia inteirinho dedicado para celebrar o amor entre amigas

No meu último texto para o blog, Coragem para seguir os seus sonhos: como agir com o coração apesar do medo, falei sobre se lançar no mundo, escutando a voz do coração e se deixar levar pela magia do caminho andando de mãos dadas com o medo.

Hoje, quero falar sobre aquelas que facilitam esse agir corajoso. Aquelas que seguem permitindo que eu abra minhas asas para vôos cada vez mais altos sabendo que sempre terei um lugar para voltar. As amigas.

Quando voltei da Ásia, em 2018, após um semestre mochilando e fazendo trabalho voluntário na Tailândia, Vietnã, Nepal, Camboja e Myanmar, levava comigo três diários que me fizeram companhia durante a jornada. No primeiro encontro que tive com duas grandes amigas em São Paulo, trazia em minha bolsa um desses diários e elas me pediram para ler um trecho. Depois de folhear algumas páginas, soltar leves risadas e se emocionar com algumas passagens, as duas foram categóricas: “você precisa escrever um livro sobre essa viagem”.

Confesso ter achado aquela reação exagerada. “Quem teria interesse em ler sobre vivências tão pessoais?”. E elas me listaram alguns dos motivos que levam as pessoas a buscarem por relatos de viagem e livros de autoconhecimento. Não fossem essas duas amigas que me mostraram o valor da minha vivência, deixando clara a importância de me lançar em algo inédito e confiar que eu daria conta de fazê-lo, meu primeiro livro nunca teria sido publicado.

Por isso e por muito mais, devo boa parte de quem eu me tornei às minhas amizades femininas. Sou grata pelo privilégio de compartilhar a minha existência com cada uma delas, podendo me conectar em diferentes frentes com cada uma. Acredito na amizade entre mulheres como este campo seguro e fértil, onde trocas e vivências profundas estão sempre acontecendo. É onde me sinto eu mesma, com toda minha complexidade e contrariedade. Sei que não preciso fingir ser alguém que não sou. Sei que posso chorar de rir ou rir de tanto chorar. Posso pedir sugestões para um novo trabalho, contar e ouvir mil vezes a mesma história e ainda receber os mais valiosos conselhos amorosos.

Suspeito que essa seja a importância de colocar nossas necessidades afetivas também dentro dessas relações. O sistema patriarcal e capitalista nos ensina que todas as nossas necessidades emocionais devem ser supridas dentro de uma única relação romântica e monogâmica, deixando de lado o poder de novas formas de amor, como aquele construído entre amigas, pautado por trocas reais, afeto e presença.

Na medida em que investia em laços sólidos e íntimos com minhas amizades femininas, me aprofundava em meu próprio valor. Este é outro superpoder que as amigas nos presenteiam: elas nos recordam de quem somos e do quanto somos merecedoras.

São elas que ajudam a nos enxergar com generosidade, gentileza e admiração. Quando sentimos que somos merecedoras desse amor tão leve, fica mais difícil se render a uma história romântica que apresenta alguns (vários) sinais de alerta. Uma amiga uma vez me disse: “o amor que vem de vocês me nutre tão profundamente que quanto mais eu me acostumo com o que recebo de vocês, torna-se mais fácil me afastar de relacionamentos românticos que me oferecem migalhas, porque eu sei do quê e do quanto sou merecedora”.  

Quando nos sentimos amadas sendo fiéis a nossa essência, filtramos melhor quem queremos por perto. Por isso, cultivar laços fortes com nossas amigas contribui positivamente para a nossa autoestima. Quantas vezes nos sentimos tristes ou inseguras e em poucos minutos uma amiga já nos recorda da mulher potente que somos? Com facilidade, ela lista desafios que passamos e superamos, nossas conquistas e qualidades. Dedicar-se com carinho e atenção a uma amizade feminina saudável assegura aquele lugar quentinho e acolhedor ao qual podemos retornar nos momentos mais desafiadores.

Podemos ficar meses ou até anos sem encontrar uma grande amiga sabendo que quando o reencontro acontecer nada terá mudado. O senso de humor, as histórias, a conexão, o colo, tudo está ali.

Talvez essa seja outra lição valiosa que as amizades femininas nos proporcionam: o amor pode ser leve e livre de pressões ou de cobrança.

Tão importante quanto investir na busca por um novo amor romântico, é cultivar todos os dias amizades que nos fortalecem, que acreditam em nossos sonhos, que celebram a nossa existência e que estarão sempre ao nosso lado nos recordando da vida que merecemos viver. Um trecho da música “Yo Vengo”, do cantor e compositor paraense Saulo Duarte, diz:

 

“(...) O amor é coisa linda de se acreditar

E que se os amigos são como flores que nascem na cabeça eu vou regar (...)”


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