fashion revolution: moda além do que se vê

fashion revolution: moda além do que se vê

Quando vamos comprar uma roupa, é normal que venham à nossa cabeça os critérios: é bonita? Tem a ver comigo? Vou usar? O preço está bom?

Quando pensamos assim, estamos enxergando a peça apenas como um pedaço de tecido que será útil ou não esteticamente para nós, o que é normal, pois durante muito tempo foi assim que fomos estimuladas a agir. Mas, ainda bem, estamos em constante evolução e precisamos ampliar nosso olhar para criar o futuro que queremos. E é exatamente isso que o movimento Fashion Revolution propõe: enxergarmos o antes, o durante e o depois das nossas roupas e o impacto gigante que elas causam.

O movimento não tem fins lucrativos, foi criado em 2013 e chegou ao Brasil há cinco anos, se fortalecendo globalmente a partir da ideia de trazer um consumo e produção mais responsável e consciente. Em constante expansão com milhares de pessoas, empresas e iniciativas engajadas, foi criado o Instituto Fashion Revolution Brasil. A semana fashion de 2019, por exemplo, envolveu aproximadamente 25 mil pessoas em 50 cidades do Brasil - não é demais ver tanta gente se movimentando para uma moda positiva? Nós amamos ser parte e espalhar iniciativas como essa. Vem com a gente.

Quando consumimos uma marca, estamos, indiretamente, apoiando o que a empresa propõe, afinal, estamos direcionando um investimento que permite que ela cresça. Por isso, é super importante sabermos quais intenções e práticas as marcas têm e se elas incluem: relações justas/equilibradas de trabalho e remuneração, inclusão, redução de impacto ambiental, resumindo, se há propostas de respeito com os seres humanos e o meio-ambiente.

Atualmente, o Fashion Revolution se apresenta em três pilares de transformação: mudança cultural, mudança na indústria e mudança política. A mudança cultural é a principal delas, pois parte muito de nós mesmas. Ela é importante para criar uma nova forma de consumir, incentivando que a gente investigue e entenda os processos envolvidos desde antes da produção até o descarte da peça e isso provoca uma transformação potente, pois entendemos nossa responsabilidade ao consumir. Um primeiro passo é consumir menos, e a lógica é simples: ao comprar menos peças, conseguimos investir um pouco mais em marcas responsáveis e com práticas responsáveis.  

Fora que, dica de amiga, quanto menos roupas temos, mais fácil fica encontrarmos nosso próprio estilo, e isso é uma delícia. Quando temos um guarda-roupas transbordando, mal sabemos o que temos, ficamos até ansiosas, pois é tanta opção que fica mais difícil expressar uma identidade única nas roupas. Sem roupa parada, sem energia acumulada e com um estilo muito mais original: só maravilhosidades.

Enquanto isso, a mudança na indústria mostra que é preciso modificar diretamente os meios de produção, reduzindo impacto ambiental e promovendo mais igualdade nos trabalhadores envolvidos em todas as etapas, considerando não apenas o crescimento financeiro, mas o bem-estar humano e ambiental. Como dissemos aqui nesse texto, empresa de sucesso é aquela que pensa no coletivo. Nossa forma de participarmos ativamente disso é investigando e consumindo marcas alinhadas com os nossos propósitos.

O terceiro ponto fala na mudança política, que incentiva a transparência e a responsabilidade socioambiental. Esse aspecto aponta para uma agenda governamental de todos os países, que poderiam seguir regulamentos e incentivos corretos para apoiar e adotar práticas mais responsáveis.

três questões que aprendemos com o Fashion Revolution:

investigar: quem fez minhas roupas?

Nos últimos anos o Fashion Revolution quis destacar os trabalhadores da cadeia de fornecimento da moda. O movimento quer conscientizar de que é possível pedir mais transparência da indústria e entender #QuemFezMinhasRoupas. Muito melhor poder entender quanto de criatividade, carinho e trabalho justo são utilizados nas roupas que carregamos por aí, não é mesmo?

Que tal pesquisar se as suas marcas preferidas estão por dentro desse processo? Além de ser justa, a indústria da moda pode respeitar a cultura e o patrimônio local, contribuindo para o crescimento de artesãos e produtores de diferentes idades, gêneros, classes e lugares.

ir além do discurso: qual o índice de transparência das marcas que eu consumo?

Pesquisar sobre o índice de transparência das suas marcas favoritas é uma forma prática de fazer parte. Uma sugestão é verificar se essas marcas aparecem no índice anual criado pela Fashion Revolution e entender se elas produzem com bons indicadores. Você também pode pesquisar um pouco mais sobre elas na internet, a ideia é saber se suas peças queridinhas foram produzidas em boas condições de trabalho ou não. Assim é mais fácil escolher o que entra e o que sai do guarda-roupa.

Além disso, no site do projeto, é possível acessar um Índice de Transparência da Moda anual, com informações detalhadas e uma análise do nível de transparência de diferentes marcas. Em 2017, por exemplo, o índice mostrou mais de 100 grandes marcas e varejistas globais. Enquanto isso, o movimento analisou 30 grandes marcas e varejistas do Brasil em 2019. As informações ficam todas disponíveis para download e podem ser uma ótima fonte de informação na hora de escolher que marcas você vai comprar, incentivar ou quais deixam de fazer parte do seu guarda-roupa.

ser parte: como posso ter um consumo de moda de menos impacto?

O próprio movimento Fashion Revolution sugere algumas alternativas ótimas para você começar a consumir moda de maneira mais positiva. Além de se perguntar quem fez suas roupas e buscar o índice de transparência das marcas, você pode tomar outras medidas. Que tal se apaixonar pelas roupas que você já tem e montar um monte de looks diferentes com elas? Assim, você pode prezar pela qualidade no lugar da quantidade, uma alternativa muito mais consciente. Outra ideia para renovar o guarda-roupa sem comprar roupas novas é buscar itens de segunda mão, trocar entre as amigas, alugar peças especiais e frequentar mais brechós.

Vamos juntas? Nada mais lindo que um look todo adquirido com consumo e consciência. Mulheres do futuro pesquisam, investigam e fazem agora a moda do futuro, muito mais justa e equilibrada para as pessoas envolvidas e para o planeta.

Quando a gente veste uma roupa que temos orgulho, ela passar a ter um valor muito maior, pois sabemos que estamos contribuindo para uma mudança positiva e passamos a carregar isso com a gente, não apenas no corpo, mas uma mudança em nossa mente e coração. A última moda, a mais bonita e imbatível de todos os tempos, é aquela que traz uma consciência levinha.

Ah, e não precisa radicalizar, é só começar aos pouquinhos e, garantimos, que o bem que faz é viciante, pois enxergamos a beleza além do que se vê. Vamos juntas na nova era!



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