É possível fazer dinheiro trabalhando com oque amamos?


Olá minha gata climática!

Hoje eu quero começar o nosso papo contando uma história.

Era meados de março de 2019, eu estava no último ano da faculdade e trabalhava como estagiária numa multinacional japonesa. Para uma jovem profissional no começo de carreira, o salário era ótimo, o vale-refeição maravilhoso e eu tinha flexibilidade para fazer meus rolês de ativista, como ir nas atividades do Engajamundo e viajar para representar a instituição em eventos sobre clima, meio ambiente e ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU).

Parecia o trabalho dos sonhos, mas tinha um porém: eu não estava feliz.

Eu sou aquele tipo de pessoa que precisa encontrar sentido em tudo que faz. Eu imagino a vida como um grande quebra-cabeça e cada trabalho, conexão, voluntariado, livro, viagem é uma peça que me ajuda a chegar na imagem final. E sabe de uma coisa? O fato de eu não encontrar sentido no meu trampo, fez com que eu perdesse o brilho no olhar e a alegria de viver…


Lembro de uma vez, que peguei o carro e dirigi sem rumo. Eu liguei o rádio, abri o portão de casa e parti, pois precisava de um momento de privacidade para chorar em paz. Depois de um tempo vagando pelas ruas de São Paulo, comecei a conversar com Deus, eu disse: “Paizinho, eu não estou feliz! Sou grata pelo trabalho que o Senhor me deu, dou o meu melhor todos os dias… Mas não gosto do que faço na empresa, gosto do que faço no Engajamundo! Quero trabalhar com o meu propósito.


Depois dessa oração, muita coisa mudou. Sinto que recebi coragem divina para me colocar em ação e fazer as mudanças necessárias para voltar a sonhar. Como uma jovem de 21 anos sem um real no bolso, eu precisava de apoio. Conversei com os meus pais e abri o coração. Disse que não estava feliz no trabalho e queria ter mais tempo para estudar, escrever meu TCC e fazer voluntariado no Engaja (detalhe: fazia apenas uma semana que a empresa tinha renovado meu contrato e eu estava no último ano da faculdade!!!).

 

Meu pai, olhou no fundo dos meus olhos e disse:

  • Filha, sua mãe e eu vamos te apoiar em tudo que fizer. Não temos muita grana, mas comida e vale-transporte não vão faltar!

 

[Queria leitora, preciso abrir um pequeno parentênses. Você percebe a vantagem social que tive nesse momento? Quantas mulheres pretas e periféricas possuem um pai presente? A maioria precisa se virar SOZINHA e muitas vezes não podem desfrutar de segurança financeira para ter liberdade na tomada de decisão, pois seu salário faz parte da renda de toda família.]

No dia seguinte, respirei fundo e pedi demissão.

No começo foi estranho, pois para mim, essa era uma das maiores loucuras que estava fazendo. Mas assim que saí, senti um alívio enorme e tive mais tempo para me dedicar àquilo que realmente amo: estudar, conhecer pessoas e fazer projetos climáticos. Desde então, um mundo de possibilidades se abriu! Acredito que quando vivemos com amor, sinceridade e propósito, as oportunidades batem na nossa porta. 

É aqui que entra o questionamento do começo do artigo: é possível fazer dinheiro trabalhando com oque amamos?

Cada uma tem uma história diferente, mas um forte ponto em comum: elas encontraram propósito trabalhando com meio ambiente, sustentabilidade e clima, na área de ONGs, empresas e governo.  

Waleska foi a minha primeira entrevistada. Ela é da cidade de Belém e estudou engenharia sanitária ambiental na Universidade Federal do Pará. Estagiou em alguns órgãos estaduais e decidiu migrar para o terceiro setor, com o intuito de desenvolver projetos na área de clima.  

“Antes de começar a trabalhar com meio ambiente, minha jornada no eixo ambiental começou devido ao meu meu amor pela área, profundo interesse e preocupação com as questões socioambientais que afetam a minha comunidade em Belém.” 

Já Andréia se formou em jornalismo pela Pontíficia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC - RJ) e após alguns anos de graduada, encontrou uma oportunidade para trabalhar no Instituto Clima e Sociedade.  

“Fui trabalhar numa organização climática e não sabia nada de clima. Fizeram uma aposta em mim. Daí ativei meu hiperfoco e aprendi tudo (ou quase tudo) do básico que precisava saber do zero. Fui de iniciante a especialista 🥂”

Ela é uma das maiores referências na área de justiça climática no Brasil, e hoje dá palestras, aulas, consultorias, faz pesquisas e projetos autorais. Já viajou para diversooos países com o objetivo de falar do tema, como Emirados Árabes Unidos, Espanha, Alemanha, Reino Unido, Cabo Verde, Egito e Estados Unidos. Quando eu pedi um conselho para as gatas climáticas da Pantys, ela disse:

“Ouse sonhar com posições de tomada de decisão e poder! Porque é lá que vamos chegar por meio de trabalho de formiguinha e bastidor. O palco é resultado de muitos anos. Temos uma missão urgente: salvar o planeta! Salário digno e paz de espírito.”

Por fim, minha última entrevistada foi Marina Mahfuz, que começou sua tarjetória de envolvimento na temática ambiental na universidade PUC-RJ, se envolvendo com grupos de extensão e projetos de impacto sociombiental. Desde o início da sua jornada acadêmica, Marina buscou se conectar com grupos de base e movimentos sociais, oque lhe rendeu uma indicação para trabalhar na Secretária Municipal de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro.

“Minha trilha nunca foi convencional. Eu acredito que se você se movimentar, se conectar com as pautas que acredita e se aproximar de pessoas que estão fazendo um trabalho sério (...), você vai ser inserida nesse caminho. Mesmo que a pauta ambiental não vire uma forma de renda, ela será uma forma de viver com muito mais qualidade, presença e integridade.”

Forte, né? *-*

Querida leitora, às vezes nossa vida fica doida, perdemos o rumo e não sabemos qual caminho seguir. Nesses momentos precisamos ter calma, respirar fundo e silenciar nossos pensamentos negativos, com o intuito de escutar a voz do coração <3

Quero finalizar nossa conversa trazendo algumas dicas para você, que está em busca de um trabalho que faça sentido, já pode coloar em prática:

  • Faça uma reserva de emergência: quando temos dinheiro guardado, nos sentimos mais seguras para dar passos ousados, seja sair do emprego, investir tempo em voluntariado ou fazer aquele intercâmbio dos sonhos.

  • Se conecte com pessoas que estão vivendo oque você gostaria de viver: esse é o momento de ser cara de pau e mandar uma mensagem no LinkedIn daquela pessoa que você admira. Chama no inbox, conte brevemente seu momento de vida e peça 30 minutinhos de conversa online :)

  • Que tal apoiar alguma ONG? eu não estou falando de dinheiro, mas sim de tempo! Destinar algumas horas da sua semana para ajudar uma ONG vai aquecer seu coração, te dar experiência na área e te fará conhecer várias pessoas maneiras!


Lembre-se: “Nada é tão nosso quanto os nossos sonhos.” Acredite no seu potencial e se jogaaaaa gata! Podemos contruir SIM a realidade que sonhamos viver <3


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