#1 eu e eu mesma: será que tá bom?

eu e eu mesma: será que tá bom?

Uma das coisas que esse período de isolamento social criou foi a oportunidade de passarmos mais tempo na nossa própria companhia, mesmo se a gente vive em uma casa cheia de gente. E esse tipo de situação pode abrir uma portinha que nem sempre é explorada, que a gente fugia sempre que possível: o de nos conhecermos melhor. E isso nem sempre é fácil, mas enxergar isso como um relacionamento mesmo, como qualquer outro, nos permite ter mais nitidez para saber se está bom, se está ruim e como evoluir.

É por isso que esse mês o papo é sobre relacionamentos. E abrimos essa série super amorosa falando sobre o mais importante de todos: de nós com nós mesmas. Esse é um assunto que a gente adora e sempre falamos aqui, porque acreditamos que se conhecer e aprender a se amar é um dos passos mais importantes para sermos felizes e fazermos nossas escolhas na vida.

se leve para um date

E podemos começar do começo, como se estivéssemos num primeiro date, e se perguntar: o que eu gosto? O que me faz feliz? Qual é o melhor jeito de passar meu tempo? Se descobrir e se conhecer com verdade é transformador, principalmente porque assim conseguimos nos libertar das coisas que nos disseram por tanto tempo que era o que uma “mulher ideal”, ou “comportada” devia fazer, querer, dizer ou viver. Quando essas vozes do lado de fora estão falando alto demais, tente abaixar esse volume pra ouvir o que vem de dentro. Uma dica de amiga: a meditação pode ajudar nesse processo.

silencie um pouquinho o que vem de fora para focar no que vem de dentro

As redes sociais são uma fonte incrível de aprendizado, e nesse momento têm sido fundamentais para nos relacionarmos e trocarmos afeto, além de ser uma ferramenta pra gente se expressar, e tudo isso é incrível. Mas para nos conectarmos de verdade com o que tem dentro e ouvirmos o que nosso corpo e mente nos diz, pode ser muito útil silenciar tudo o que está do lado de fora e, assim, fortalecer a nossa autoconfiança e aprender que, mesmo que intuitivamente, nós sabemos o que é melhor pra gente. É claro que podemos errar nesse caminho, mas isso também faz parte de qualquer relação, não é mesmo?

o que realmente me faz bem?

Quando nos conhecemos e construímos essa confiança em nós mesmas conseguimos diminuir essa necessidade de validação externa, que é tão comum para nós mulheres, afinal, crescemos em uma sociedade que já tem todo o script da “mulher feliz” e do “corpo ideal”. Mas chega disso, somos mulheres do futuro e estamos deixando isso para trás. Quando não nos conhecemos profundamente, ficamos mais suscetíveis a anular (ou nem perceber) o que queremos, para atender às expectativas do outro, podendo até mesmo abrir mão de coisas que são muito preciosas pra nós só para caber em caixinhas que, talvez, a gente nem gostaria de estar. E para que a gente se fortaleça e se entenda mais verdadeiramente precisamos olhar para algo que é muito falado: o autoconhecimento.

Ele não surge do dia pra noite e também não é algo que alcançamos plenamente e ponto final. O processo de se descobrir e se conhecer dura a vida toda - e a nossa relação com nós mesmas também. Então, criar um bom relacionamento com nós mesmas é algo muito divertido pois sempre estaremos descobrindo algo novo, até o fim da vida. Afinal, esse é a relação mais duradoura que iremos viver, então, que tal olhar para tudo isso e se perguntar se estamos vivendo um relacionamento saudável? Se estamos sendo justas, se estamos nos cobrando demais? A gente não aceitaria outra pessoa todo dia nos criticando, sem nos perdoar por nossos erros, uma relação sem diálogo...então não tem porquê fazer isso com a gente mesma.

A maravilhosa Brené Brown, que já falamos por aqui neste texto, fala muito sobre como o processo de autoconhecimento também passa por aceitar a nossa vulnerabilidade, e que mesmo que isso seja difícil no começo, é também inevitável: “Assumir a nossa história pode ser difícil, mas não tão difícil como passarmos nossas vidas fugindo dela. Abraçar nossa vulnerabilidade é arriscado, mas não tão perigoso quanto desistir do amor, do pertencimento e da alegria”.

E assim como acontece nas relações amorosas, familiares, de trabalho ou com amigos, nem tudo são flores no relacionamento consigo mesma, e também podemos viver fases ruins, isso é super normal. O importante nestes momentos é acolher nossos sentimentos, assim como a gente acolheria uma amiga, e cuidar de nós mesmas. Em qualquer relacionamento nós praticamos muito essa coisinha tão importante que é o perdoar, e, no relacionamento com a gente mesma, essa ferramenta é fundamental. Fora que, se a gente não acolher esse sentimentos para que eles venham à tona, como podemos florescer?

 

Já deu pra perceber que pra esse relacionamento ser cada vez melhor não tem regra ou receita, né? Cada mulher é única, e só você saberá dizer o que gosta e o que não gosta, então tem a total liberdade para ir se conhecendo e criando as oportunidades para ser a sua melhor companhia. E de sempre perguntar se esse relacionamento está equilibrado, se você está sendo justa, se está se o dando carinho, respeito e admiração que você merece. Ou se está deixando a ansiedade, a autocrítica exagerada ou os pensamentos de inferioridade tomarem conta. O interessante é que se observar que está mais ruim do que bom, não dá para finalizar, como em qualquer outra relação, então é preciso buscar novos caminhos de amor consigo para que tudo fique mais equilibrado.

Por isso, o nosso convite hoje é pra que você aceite entrar de cabeça nessa relação consigo mesma e analise com sinceridade como ele está. Com muito autoamor e com a mesma generosidade que você olha para suas amigas e para as pessoas que quer bem, faça esse exercício de se olhar e buscar caminhos para que ele fique cada dia mais saudável. Porque essa mulher que mora dentro da gente merece receber atenção, ser bem cuidada e viver momentos de leveza e amor. Aliás, todas as mulheres que moram dentro da gente, né? Porque mudamos muito e somos cíclicas, e esse poder de renovação é mágico, vamos aproveitá-lo.



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