responsabilidade afetiva: será que realmente temos?

De uns tempos para cá, o termo responsabilidade afetiva passou a ser um assunto abordado nos Stories do Instagram, em podcasts e em textos nas redes sociais. Se quisermos simplificar a questão e defini-la em algumas palavras, podemos pensar em empatia — o famoso “se colocar no lugar do outro”.

Apesar desses conceitos parecerem simples, eles não são muito praticados no dia a dia. Muitas vezes, confundimos a nossa liberdade e acabamos machucando o outro. Não pensamos no impacto das nossas ações, do que falamos o os danos que causamos na outra pessoa.

E, bom, talvez isso tenha a ver com a forma com que estamos nos relacionando hoje. Ou, também, com a maneira como lidamos com as nossas emoções. Vamos mergulhar um pouco nesse assunto, então?

Estamos mudando a forma de nos relacionar

Não é novidade que as formas de relacionamento mudaram muito ao longo dos anos. Se antes era comum casar cedo, para muitas pessoas o casamento nem é uma questão hoje em dia. Temos mais liberdade para nos relacionar e entender o que buscamos e esperamos de uma relação.

Não vemos problema em sair com mais de uma pessoa, experimentar coisas novas, nos entregar logo no começo ou esperar meses para que aquilo se aprofunde. Quando falamos do conceito de responsabilidade afetiva, o ponto é justamente fazer isso de forma responsável. É importante comunicar ao outro nossas intenções ou expectativas naquele momento.

O que acontece muitas vezes é uma falta de responsabilidade com essa liberdade. Temos que tomar cuidado para não usarmos esse termo como uma justificativa para a nossa falta de clareza e sensibilidade com os sentimentos alheios.

Então, vamos lá: ao perceber que você e seu par estão vivendo momentos diferentes, é importante sentar e alinhar as coisas. Assim, expectativas não são criadas e a gente para de tentar interpretar o que o outro quer dizer e passa a escutar o que ele realmente tem a dizer sobre seus sentimentos.

Não alimente esperanças só para se sentir bem

É muito legal ter alguém apaixonado por nós, não é mesmo? Aquela pessoa que quer nos ver, quer sair aos finais de semana, fazer planos… É tudo uma delícia. Mas e quando essa relação não é recíproca?

É importante ter responsabilidade emocional e saber analisar essas situações, conversando quando sentir que os dois lados não estão na mesma página. Não tenha medo de colocar as cartas na mesa, falar como se sente e o que espera daquilo ou o que você não espera. Você pode apenas querer curtir o momento, sem fazer planos a longo prazo.

Não use os sentimentos de alguém para alimentar o seu ego. Aí, sim, é irresponsabilidade afetiva. E nós fazemos isso bastante, geralmente sem perceber. Por isso, é importante racionalizar as nossas ações, pensar sobre o que sentimos e queremos.

Não dê esperanças quando você não pretende ficar. Se você se pergunta o que é responsabilidade afetiva, podemos afirmar que não é reciprocidade amorosa. Você não é obrigada a amar ninguém, mas é importante ser sincera sobre o que realmente está sentindo e comunicar à outra parte.

Nem sempre entendemos os nossos sentimentos e tá tudo bem

Às vezes, há uma cobrança para definirmos o que sentimos. Pode acontecer de alguém querer te dar um ultimato. Mas pera lá! É importante ressaltar que a responsabilidade afetiva em relacionamentos, nos casos acima, é quando você sabe o que quer e percebe que não está alinhado com as expectativas da outra pessoa.

E o que fazer quando você não sabe o que sente? Aí é outra história. No começo, nos primeiros encontros, nem sempre sabemos o que estamos sentindo. Só queremos curtir e gostamos do que está acontecendo. Não se sinta pressionada a definir rapidamente se essa relação é algo que você quer levar para a frente ou não.

Nesses casos, a responsabilidade afetiva nas relações aparece com a honestidade. Se perguntarem sobre os seus sentimentos e você novamente perceber que está faltando sintonia, vale a pena conversar. Não tem problema nenhum falar que, naquele momento, você só está curtindo e não tem um sentimento definido.

 

As pessoas não são obrigadas a nos amar

Não é porque você pratica a responsabilidade afetiva que não vai sofrer decepções. É importante falarmos sobre isso, porque às vezes pensamos: “Poxa, mas eu fui tão legal, sincera, e mesmo assim continuo me decepcionando”.

A importância da responsabilidade afetiva está justamente em respeitar o que você sente e o que o outro sente também. Se a outra pessoa está mais envolvida, os dois sabem disso e ela resolve ir embora, ela tem esse direito.

Não é porque você está indecisa, por exemplo, que ela tem que ficar esperando você ter os sentimentos mais claros. Aqui, a gente toca em um assunto delicado. É verdade que gostamos da segurança de ter alguém ao nosso lado enquanto a gente decide o que quer. Mas você gostaria que fizessem isso com você?

Ser honesta sobre o que sente pode, sim, te trazer perdas. Mas será que valeria mesmo aquela pessoa ficar? Naquelas condições? Não é justo segurar alguém ou alimentar expectativas que você sabe que não conseguirá cumprir.

Se responsabilize pelas suas escolhas

Conversou com o seu par sobre os seus sentimentos e expectativas? Percebeu que não estão na mesma página? A partir desse momento, é com você. A outra pessoa deixou claro como se sente, e ficar ou não é sua escolha.

Nesses casos, vale muita atenção para não permanecer em algo que você sabia que não era ideal e depois culpar o outro. Você foi avisada.

Muitas vezes, as pessoas sabem em que tipo de relação estão e que aquilo não vai se transformar no que elas esperam, mas mesmo assim permanecem. Diversas razões levam a isso, principalmente a de achar que o outro vai mudar de ideia ou que é possível conquistá-lo. Devagar aí!

Guia prático para ser mais responsável afetivamente

Nós, da Pantys, algumas interpretações sobre a responsabilidade afetiva e empatia que nos ajudam a agir melhor em relação às pessoas ao nosso redor. Assim, podemos começar a exercitar esse conceito e melhorar a qualidade das nossas relações.

A premissa básica é sempre se colocar no lugar do outro e se perguntar: eu gostaria de ser tratada da forma que estou tratando os outros? Sim, uma simples reflexão pode ajudar muuito no relacionamento com as pessoas queridas da nossa vida. Então, vamos lá?

Ter responsabilidade afetiva é ser transparente em relação aos seus sentimentos, sejam eles bons ou ruins;

Tudo bem não estar preparada para um relacionamento! Pessoas vivem em tempos diferentes, basta comunicar isso ao outro;

Responsabilidade afetiva não é reciprocidade amorosa. Não se sinta pressionada a ter os mesmos sentimentos que o outro;

Tenha coragem de ir embora quando decidir que aquilo não é mais o que você quer;

Cuidado com o sincericídio: você não precisa ser grossa ou abusar da sinceridade na hora de conversar com o outro. Todos temos sentimentos, certo?;

O outro também tem direito a mudar de ideia. Se ele resolveu ir embora, ele não está sendo necessariamente irresponsável afetivamente,

Cuidado para não despejar expectativas em alguém e, quando não for correspondida, dizer que isso é irresponsabilidade. Não podemos culpar o outro pelas nossas ansiedades, não é mesmo?


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